Amor e amizade são
profundamente valores egoístas e pessoais: o amor é uma expressão e afirmação da autoestima, uma resposta aos seus próprios valores para com outra pessoa. A pessoa ganha uma alegria profunda e egoísta pela
mera existência da pessoa que ela ama. É sua própria, pessoal, egoísta felicidade que ela procura, ganha e deriva do amor. Um amor
“altruísta”, “desinteressado” é uma contradição em termos: significa essa
pessoa é indiferente ao que ela valoriza.
Preocupação pelo bem-estar por aqueles que a pessoa ama é uma
parte racional de seus próprios interesses egoístas. Se um homem que ama
apaixonadamente sua esposa gasta uma fortuna para cura-la de uma doença
perigosa, seria um absurdo afirmar que ele o faz como um "sacrifício” por
causa dela, não dele, e que não faz diferença para ele, pessoalmente e
egocentricamente, se ela viver ou morrer.
Qualquer ação que esse homem assume para o beneficio daqueles
que ele ama não é um sacrifício se, na hierarquia de seus valores, no contexto
total das escolhas abertas a ele, se alcança aquilo que é o maior pessoal (e
racional) importante para ele.
Mas suponha que ele deixe-a morrer, a fim de gastar seu dinheiro
para salvar as vidas de dez outras mulheres, nenhuma das quais significa nada
para ele – como a ética do altruísmo exigiria. Isso seria um sacrifício. Aqui a
diferença entre o Objetivismo e o altruísmo pode ser visto mais claramente: se
o sacrifício é o principio moral da ação, então esse marido deve sacrificar sua
esposa pelo bem das dez outras mulheres. O que distingue a esposa das outras
dez mulheres? Nada, mas valor dela para o marido que tem que fazer a escolha –
nada além do fato que sua felicidade exige a sobrevivência dela. A ética do
Objetivismo diria a ele: seu maior objetivo moral e a obtenção de sua própria
felicidade, o dinheiro é seu, use-o para salvar sua esposa, este é o seu
direito moral e escolha racional, moral. Considere a alma do moralista
altruísta que estaria preparado para dizer ao marido o oposto. (E então se pergunte se o altruísmo é motivado pela benevolência).
O método apropriado de julgar quando ou se uma pessoa deve ajudar a outra pessoa é por referência a seu próprio racional auto interesse e sua própria hierarquia de valores: o dinheiro, tempo ou esforço que essa
pessoa dá ou os risco que toma deve ser proporcional ao valor de terceiros em relação sua própria felicidade.
Para ilustrar isso no favorito exemplo altruísta: a questão de
salvar alguém se afogando. Se a pessoa a ser salva é um estranho, é moralmente
correto salvar ela somente quando o perigo a sua própria vida é mínimo; quando
o perigo é grande, seria imoral tentar faze-lo: somente uma falta de autoestima
permitira você valorizar a vida alheia não maior ao de qualquer outro estranho
aleatório. (E, inversamente, se uma pessoa está se afogando, ela não pode
esperar que um estranho (você) arrisque sua própria vida pelo próprio bem dela,
lembrando-se que a vida dela não pode ser tão valiosa quanto ao daquele que a
salva).
Se a pessoa a ser salva não é um estranho, então o risco que
você está disposto a assumir é maior em proporção a grandeza ao valor desta
pessoa para você mesmo. Se for um homem ou uma mulher que você ama, então você
pode estar disposto a dar sua própria vida para salvar a ele ou ela – pela
razão egoísta que a vida sem a pessoa amada seria insuportável.
Por outro lado, se um homem é capaz de nadar e salvar sua mulher
que se afoga, mas entra em pânico, se rende a um medo injustificado, irracional
e deixe-a afogar, então passa sua vida em solidão e miséria – você não o
chamaria de “esgoista”, você o condenaria moralmente pela traição dele para
consigo mesmo e seus valores que são: a incapacidade dele de lutar pela
preservação de um valor crucial a sua própria felicidade.
Lembre-se que valores são
aqueles que você age para alcançar e/ou
manter, e que sua própria felicidade tem que ser alcançada pelo seu próprio
esforço. Uma vez que sua própria felicidade é o proposito moral da sua própria
vida, o homem que não consegue alcança-la por causa de seu próprio padrão, por
causa sua incapacidade de lutar por ela, é moralmente culpado.
A virtude envolvida em
ajudar aqueles que você ama não é “altruísmo” ou “sacrifício”, mas a
integridade. Integridade é lealdade a suas convicções e valores; é a politica
de agir de acordo com seus valores, de expressar, defender e traduzi-las em
realidade prática. Se um homem professa amar uma mulher, mas suas ações são
indiferentes, hostis e prejudiciais a ela, é sua falta de integridade que o faz
imoral.
O mesmo
princípio se aplica às relações entre amigos. Se um amigo está em apuros, você deve agir para ajudá-lo por qualquer meio não-sacrificial
que sejam adequados. Por exemplo, se um amigo está morrendo de fome, não é um sacrifício, mas um ato de integridade dar-lhe dinheiro para comprar
comida em
vez de você comprar alguma engenhoca insignificante para você mesmo, porque o bem-estar de seu amigo é
importante na sua escala valores pessoais. Se a engenhoca significa mais do que o sofrimento do amigo, você não tinha nada que ficar fingindo ser
amigo dele.
Ayn Rand
Ayn Rand
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