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sábado, 19 de janeiro de 2013

"Amor" Verdadeiro


Amor e amizade são profundamente valores egoístas e pessoais: o amor é uma expressão e afirmação da autoestima, uma resposta aos seus próprios valores para com outra pessoa. A pessoa ganha uma alegria profunda e egoísta pela mera existência da pessoa que ela ama. É sua própria, pessoal, egoísta felicidade que ela procura, ganha e deriva do amor. Um amor “altruísta”, “desinteressado” é uma contradição em termos: significa essa pessoa é indiferente ao que ela valoriza.
Preocupação pelo bem-estar por aqueles que a pessoa ama é uma parte racional de seus próprios interesses egoístas. Se um homem que ama apaixonadamente sua esposa gasta uma fortuna para cura-la de uma doença perigosa, seria um absurdo afirmar que ele o faz como um "sacrifício” por causa dela, não dele, e que não faz diferença para ele, pessoalmente e egocentricamente, se ela viver ou morrer.
Qualquer ação que esse homem assume para o beneficio daqueles que ele ama não é um sacrifício se, na hierarquia de seus valores, no contexto total das escolhas abertas a ele, se alcança aquilo que é o maior pessoal (e racional) importante para ele.
Mas suponha que ele deixe-a morrer, a fim de gastar seu dinheiro para salvar as vidas de dez outras mulheres, nenhuma das quais significa nada para ele – como a ética do altruísmo exigiria. Isso seria um sacrifício. Aqui a diferença entre o Objetivismo e o altruísmo pode ser visto mais claramente: se o sacrifício é o principio moral da ação, então esse marido deve sacrificar sua esposa pelo bem das dez outras mulheres. O que distingue a esposa das outras dez mulheres? Nada, mas valor dela para o marido que tem que fazer a escolha – nada além do fato que sua felicidade exige a sobrevivência dela. A ética do Objetivismo diria a ele: seu maior objetivo moral e a obtenção de sua própria felicidade, o dinheiro é seu, use-o para salvar sua esposa, este é o seu direito moral e escolha racional, moral. Considere a alma do moralista altruísta que estaria preparado para dizer ao marido o oposto. (E então se pergunte se o altruísmo é motivado pela benevolência).
O método apropriado de julgar quando ou se uma pessoa deve ajudar a outra pessoa é por referência a seu próprio racional auto interesse e sua própria hierarquia de valores: o dinheiro, tempo ou esforço que essa pessoa ou os risco que toma deve ser proporcional ao valor de terceiros em relação sua própria felicidade.
Para ilustrar isso no favorito exemplo altruísta: a questão de salvar alguém se afogando. Se a pessoa a ser salva é um estranho, é moralmente correto salvar ela somente quando o perigo a sua própria vida é mínimo; quando o perigo é grande, seria imoral tentar faze-lo: somente uma falta de autoestima permitira você valorizar a vida alheia não maior ao de qualquer outro estranho aleatório. (E, inversamente, se uma pessoa está se afogando, ela não pode esperar que um estranho (você) arrisque sua própria vida pelo próprio bem dela, lembrando-se que a vida dela não pode ser tão valiosa quanto ao daquele que a salva).
Se a pessoa a ser salva não é um estranho, então o risco que você está disposto a assumir é maior em proporção a grandeza ao valor desta pessoa para você mesmo. Se for um homem ou uma mulher que você ama, então você pode estar disposto a dar sua própria vida para salvar a ele ou ela – pela razão egoísta que a vida sem a pessoa amada seria insuportável.
Por outro lado, se um homem é capaz de nadar e salvar sua mulher que se afoga, mas entra em pânico, se rende a um medo injustificado, irracional e deixe-a afogar, então passa sua vida em solidão e miséria – você não o chamaria de “esgoista”, você o condenaria moralmente pela traição dele para consigo mesmo e seus valores que são: a incapacidade dele de lutar pela preservação de um valor crucial a sua própria felicidade.
Lembre-se que valores são aqueles que  você age para alcançar e/ou manter, e que sua própria felicidade tem que ser alcançada pelo seu próprio esforço. Uma vez que sua própria felicidade é o proposito moral da sua própria vida, o homem que não consegue alcança-la por causa de seu próprio padrão, por causa sua incapacidade de lutar por ela, é moralmente culpado.
A virtude envolvida em ajudar aqueles que você ama não é “altruísmo” ou “sacrifício”, mas a integridade. Integridade é lealdade a suas convicções e valores; é a politica de agir de acordo com seus valores, de expressar, defender e traduzi-las em realidade prática. Se um homem professa amar uma mulher, mas suas ações são indiferentes, hostis e prejudiciais a ela, é sua falta de integridade que o faz imoral.
O mesmo princípio se aplica às relações entre amigos. Se um amigo está em apuros, você deve agir para ajudá-lo por qualquer meio não-sacrificial que sejam adequados. Por exemplo, se um amigo está morrendo de fome, não é um sacrifício, mas um ato de integridade dar-lhe dinheiro para comprar comida em vez de você comprar alguma engenhoca insignificante para você mesmo, porque o bem-estar de seu amigo é importante na sua escala valores pessoais. Se a engenhoca significa mais do que o sofrimento do amigo, você não tinha nada que ficar fingindo ser amigo dele.

Ayn Rand 

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